sábado, 25 de abril de 2009

um café

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açúcar?

não, obrigada.

é o gosto amargo

que quero sentir.

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

vida encubada

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olhando a massa cinzenta boiando

algo lhe parece estranho

por que aquilo está ali?

o desconhecido não lhe desperta

ele não sabe

ele não quer saber

já havia virado um adorno

empoeirado em cima da TV

seus olhos vidrados

não descobrem um mundo novo

apenas aquele implantado

conformado

em seu restrito quadrado

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

pesadelo

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na noite vazia

ele se esconde,

vem atrás de mim

me observando de longe

sinto um calafrio

olho para trás

ele sabe que eu sei

aperto o passo

ele agora depressa

se aproximando cada vez mais

corre, pés de chumbo!

foge do medo

que te persegue!

precisa correr

melhor seria voar...

se não conseguir

tente acordar

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esse cheiro de esgoto...

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meus medos

me levam

ao fundo do poço

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

fim do baile de domingo

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as rugas do rosto

e os cabelos bastante brancos

não escondem os antigos sonhos de menina


vestido rodado

perfume alfazema

esmalte cintilante

batom


uma pizza

no balcão da padaria

não esconde a sua solidão

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

não vou buscar o meu tempo perdido

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gosto do cheiro que fica

do restinho de café no fundo da xícara,

do tilintar da xícara com o pires,

do barulhinho do lápis riscando o papel.


gosto de ouvir e não atender

ao toque baixo do meu telefone antigo,

gosto da solidão programada

e da minha vida desregrada.


gosto da garoa e do friozinho no fim de tarde,

de ouvir a chuva chegando, impondo silêncio,

de olhar a vida, nem sempre bela,

por detrás das gotinhas na janela.


gosto de sentir o cheiro das plantas e da terra

quando são molhadas,

coisa impossível de se ter por aqui.

gosto das madalenas e de Proust, que ainda não li.

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

meu tempo é assim...

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eu levanto mas não acordo

uma xícara de café bem quente

uma não, várias

abrem meus olhos devagar

pessoas nas ruas

correm apressadas

correm contra o tempo

correm de seus medos

correm da chuva...

rápido, moça! anda!

¡apúrate!

não consigo, não posso, não dá

ele me dá a volta, me toma, me leva

pra outro lugar

me carrega pra onde quer

anda na direção contrária

e vou com ele

me ama e me trai

me dá e me rouba

é ruim e é bom

prazer e dor

faz brotar e morrer a flor

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

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de repente muda o tempo

e sinto a cabeça pesada

o que eu acreditava antes

hoje não me diz mais nada

por que fico assim?

a todo instante

vejo a vida passar

zombando de mim

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

30 anos

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esta não é a fase mais poética da minha vida
mas a fase em que tenho consciência disto...

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

ciranda poética

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palavras soltas

versos sozinhos

desconhecidos papeizinhos.

empilhados, se cansaram

deram as mãos

e dançaram.

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

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penso muito pra dizer

digo coisas sem pensar

falo tanto o que não sei

o que sei deixo escapar

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

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não desejo uma grande vitória

prefiro as pequenas conquistas

o que se cobre de glória

também se perde de vista

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deita e me enlaça

em teus braços quentes

acalma este animal

de nervos tão doentes

dorme e me embala

em teu sono tranquilo

devolva-me a paz

dos olhos de criança

receba o amor

de um coração em chamas

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ansiedade

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o dia não disse nada

na noite calada

espero a madrugada

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

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faltei no trabalho

ontem e hoje também

amanhã eu não vou

nem depois

nem semana que vem

não estou doente

não tenho nada

não quero ir

não suporto mais

aquela gente chata

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domingo, 25 de janeiro de 2009

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demoro

não quero

passa das duas

me desespero

decido

saio às ruas

assustada

sozinha

caminho sem rumo

pela tarde vazia

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

recomeço

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abro a janela pela manhã

meus olhos já não ardem ao sol

a rua não está tão feia

o dia ensolarado é bom

um vento bate levando a poeira

o sorriso se estampa

algo muda em mim

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

tarde vadia

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fim de tarde

e não choveu...

tarde vadia!

embalou minha agonia

com promessas

de alegria

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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

décimo andar

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sozinha

presa em sua vidinha

olha pela janela

dia bonito

se joga

ela sempre quis voar

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no escuro

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não vejo nada

onde estão as velas?

não tinha uma lanterna?

não vejo nada...

não encontro


tateio em vão

na escuridão

de mim mesma

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encontro com o tempo

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o que me dirá eu já sei

que desobedeci

que não acreditei

que não cresci

que só brinquei

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

sonho erradio

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o vento balança as cortinas

o antigo sonho se aproxima

tão velho e tão novo

tão perto e tão distante

sempre o mesmo sonho

tão abstrato e errante

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labirinto dos sonhos

quase dezembro

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da janela, prédios velhos

sujos e decadentes

as calçadas cheias de lixos

de animais e de gente

nos pequenos cortiços

muitas roupas no varal

em todas as janelas, reparo

tem enfeite de natal

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trites olhos no espelho

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dois olhos tristes

iguais aos da fotografia

me olhavam de dentro do espelho

uma lágrima muda caía

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sábado, 17 de janeiro de 2009

paulita e a centopéia

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de sapatilhas cor-de-rosa

ela dança graciosa

mas em seu pensamento habita

uma espera um pouco aflita

fim de tarde, que alegria

a caminho de casa avista

a melhor coisa do dia

cheia de encanto e fantasia

ela sobe na centopéia

toda coberta de magia

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memórias de infância

as nuvens

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olho para as nuvens

sinto o tempo passando

mais rápido ele passa

quanto mais se fica olhando

as nuvens são assim

dão sinais sobre o tempo

não somente se bom ou ruim

mas cada nuvem que passa

nos aproxima do fim

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não tenha medo

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não tenha medo do silêncio

só ele lhe contará sobre sua alma

não tenha medo da solidão

só ela lhe garantirá companhia

não tenha medo da vida

porque é só uma grande dança

não tenha medo da morte

é certo que ela virá te buscar

e de onde ela vem deve ser bom

pois nunca vi ninguém voltar

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

dezembro

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dezembro quente

dia seco e cinza

um banho frio

um sofá, uma preguiça

um livro chato

um breve sono

uma longa espera

por um lindo sonho

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labirinto dos sonhos

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

sonho que voo

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sonho que voo longe

de tudo me esqueço

tão longe caio

de tudo me perco

desperto, não posso voar

no chão entristeço

pergunto: o que é a vida?

penso e enlouqueço

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labirinto dos sonhos

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

sonho abandonado

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um sonho abandonado

perdido na estrada

é de repente encontrado

por alguém

que não sabia de nada

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labirinto dos sonhos

baú de sonhos

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há um baú de sonhos trancado


guardado num quarto empoeirado

há tanto tempo que as chaves

se perderam no passado

mas ele está lá

esperando talvez cansado

ser aberto a qualquer momento

por alguém que quebre seu cadeado

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labirinto dos sonhos