*
*
açúcar?
não, obrigada.
é o gosto amargo
que quero sentir.
*
*
sábado, 25 de abril de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
vida encubada
*
*
olhando a massa cinzenta boiando
algo lhe parece estranho
por que aquilo está ali?
o desconhecido não lhe desperta
ele não sabe
ele não quer saber
já havia virado um adorno
empoeirado em cima da TV
seus olhos vidrados
não descobrem um mundo novo
apenas aquele implantado
conformado
em seu restrito quadrado
*
*
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olhando a massa cinzenta boiando
algo lhe parece estranho
por que aquilo está ali?
o desconhecido não lhe desperta
ele não sabe
ele não quer saber
já havia virado um adorno
empoeirado em cima da TV
seus olhos vidrados
não descobrem um mundo novo
apenas aquele implantado
conformado
em seu restrito quadrado
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*
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
pesadelo
*
*
na noite vazia
ele se esconde,
vem atrás de mim
olho para trás
ele sabe que eu sei
aperto o passo
ele agora depressa
que te persegue!
precisa correr
melhor seria voar...
se não conseguir
tente acordar
*
*
*
na noite vazia
ele se esconde,
vem atrás de mim
me observando de longe
sinto um calafrioolho para trás
ele sabe que eu sei
aperto o passo
ele agora depressa
se aproximando cada vez mais
corre, pés de chumbo!
foge do medoque te persegue!
precisa correr
melhor seria voar...
se não conseguir
tente acordar
*
*
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
fim do baile de domingo
*
*
as rugas do rosto
e os cabelos bastante brancos
não escondem os antigos sonhos de menina
vestido rodado
perfume alfazema
esmalte cintilante
batom
uma pizza
no balcão da padaria
não esconde a sua solidão
*
*
*
as rugas do rosto
e os cabelos bastante brancos
não escondem os antigos sonhos de menina
vestido rodado
perfume alfazema
esmalte cintilante
batom
uma pizza
no balcão da padaria
não esconde a sua solidão
*
*
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
não vou buscar o meu tempo perdido
*
*
gosto do cheiro que fica
do restinho de café no fundo da xícara,
do tilintar da xícara com o pires,
do barulhinho do lápis riscando o papel.
gosto de ouvir e não atender
ao toque baixo do meu telefone antigo,
gosto da solidão programada
e da minha vida desregrada.
gosto da garoa e do friozinho no fim de tarde,
de ouvir a chuva chegando, impondo silêncio,
de olhar a vida, nem sempre bela,
por detrás das gotinhas na janela.
gosto de sentir o cheiro das plantas e da terra
quando são molhadas,
coisa impossível de se ter por aqui.
gosto das madalenas e de Proust, que ainda não li.
*
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*
gosto do cheiro que fica
do restinho de café no fundo da xícara,
do tilintar da xícara com o pires,
do barulhinho do lápis riscando o papel.
gosto de ouvir e não atender
ao toque baixo do meu telefone antigo,
gosto da solidão programada
e da minha vida desregrada.
gosto da garoa e do friozinho no fim de tarde,
de ouvir a chuva chegando, impondo silêncio,
de olhar a vida, nem sempre bela,
por detrás das gotinhas na janela.
gosto de sentir o cheiro das plantas e da terra
quando são molhadas,
coisa impossível de se ter por aqui.
gosto das madalenas e de Proust, que ainda não li.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
meu tempo é assim...
*
*
eu levanto mas não acordo
uma xícara de café bem quente
uma não, várias
abrem meus olhos devagar
pessoas nas ruas
correm apressadas
correm contra o tempo
correm de seus medos
correm da chuva...
rápido, moça! anda!
¡apúrate!
não consigo, não posso, não dá
ele me dá a volta, me toma, me leva
pra outro lugar
me carrega pra onde quer
anda na direção contrária
e vou com ele
me ama e me trai
me dá e me rouba
é ruim e é bom
prazer e dor
faz brotar e morrer a flor
*
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eu levanto mas não acordo
uma xícara de café bem quente
uma não, várias
abrem meus olhos devagar
pessoas nas ruas
correm apressadas
correm contra o tempo
correm de seus medos
correm da chuva...
rápido, moça! anda!
¡apúrate!
não consigo, não posso, não dá
ele me dá a volta, me toma, me leva
pra outro lugar
me carrega pra onde quer
anda na direção contrária
e vou com ele
me ama e me trai
me dá e me rouba
é ruim e é bom
prazer e dor
faz brotar e morrer a flor
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
*
*
de repente muda o tempo
e sinto a cabeça pesada
o que eu acreditava antes
hoje não me diz mais nada
por que fico assim?
a todo instante
vejo a vida passar
zombando de mim
*
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*
de repente muda o tempo
e sinto a cabeça pesada
o que eu acreditava antes
hoje não me diz mais nada
por que fico assim?
a todo instante
vejo a vida passar
zombando de mim
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
ciranda poética
*
*
palavras soltas
versos sozinhos
desconhecidos papeizinhos.
empilhados, se cansaram
deram as mãos
e dançaram.
*
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palavras soltas
versos sozinhos
desconhecidos papeizinhos.
empilhados, se cansaram
deram as mãos
e dançaram.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
*
*
não desejo uma grande vitória
prefiro as pequenas conquistas
o que se cobre de glória
também se perde de vista
*
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não desejo uma grande vitória
prefiro as pequenas conquistas
o que se cobre de glória
também se perde de vista
*
*
*
*
deita e me enlaça
em teus braços quentes
acalma este animal
de nervos tão doentes
dorme e me embala
em teu sono tranquilo
devolva-me a paz
dos olhos de criança
receba o amor
de um coração em chamas
*
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deita e me enlaça
em teus braços quentes
acalma este animal
de nervos tão doentes
dorme e me embala
em teu sono tranquilo
devolva-me a paz
dos olhos de criança
receba o amor
de um coração em chamas
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
*
*
faltei no trabalho
ontem e hoje também
amanhã eu não vou
nem depois
nem semana que vem
não estou doente
não tenho nada
não quero ir
não suporto mais
aquela gente chata
*
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*
faltei no trabalho
ontem e hoje também
amanhã eu não vou
nem depois
nem semana que vem
não estou doente
não tenho nada
não quero ir
não suporto mais
aquela gente chata
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domingo, 25 de janeiro de 2009
*
*
demoro
não quero
passa das duas
me desespero
decido
saio às ruas
assustada
sozinha
caminho sem rumo
pela tarde vazia
*
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demoro
não quero
passa das duas
me desespero
decido
saio às ruas
assustada
sozinha
caminho sem rumo
pela tarde vazia
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
recomeço
*
*
abro a janela pela manhã
meus olhos já não ardem ao sol
a rua não está tão feia
o dia ensolarado é bom
um vento bate levando a poeira
o sorriso se estampa
algo muda em mim
*
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*
abro a janela pela manhã
meus olhos já não ardem ao sol
a rua não está tão feia
o dia ensolarado é bom
um vento bate levando a poeira
o sorriso se estampa
algo muda em mim
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
no escuro
*
*
não vejo nada
onde estão as velas?
não tinha uma lanterna?
não vejo nada...
não encontro
tateio em vão
na escuridão
de mim mesma
*
*
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não vejo nada
onde estão as velas?
não tinha uma lanterna?
não vejo nada...
não encontro
tateio em vão
na escuridão
de mim mesma
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*
encontro com o tempo
*
*
o que me dirá eu já sei
que desobedeci
que não acreditei
que não cresci
que só brinquei
*
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o que me dirá eu já sei
que desobedeci
que não acreditei
que não cresci
que só brinquei
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*
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
sonho erradio
*
*
o vento balança as cortinas
o antigo sonho se aproxima
tão velho e tão novo
tão perto e tão distante
sempre o mesmo sonho
tão abstrato e errante
*
*
labirinto dos sonhos
*
o vento balança as cortinas
o antigo sonho se aproxima
tão velho e tão novo
tão perto e tão distante
sempre o mesmo sonho
tão abstrato e errante
*
*
labirinto dos sonhos
quase dezembro
*
*
da janela, prédios velhos
sujos e decadentes
as calçadas cheias de lixos
de animais e de gente
nos pequenos cortiços
muitas roupas no varal
em todas as janelas, reparo
tem enfeite de natal
*
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da janela, prédios velhos
sujos e decadentes
as calçadas cheias de lixos
de animais e de gente
nos pequenos cortiços
muitas roupas no varal
em todas as janelas, reparo
tem enfeite de natal
*
*
trites olhos no espelho
*
*
dois olhos tristes
iguais aos da fotografia
me olhavam de dentro do espelho
uma lágrima muda caía
*
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*
dois olhos tristes
iguais aos da fotografia
me olhavam de dentro do espelho
uma lágrima muda caía
*
*
sábado, 17 de janeiro de 2009
paulita e a centopéia
*
*
de sapatilhas cor-de-rosa
ela dança graciosa
mas em seu pensamento habita
uma espera um pouco aflita
fim de tarde, que alegria
a caminho de casa avista
a melhor coisa do dia
cheia de encanto e fantasia
ela sobe na centopéia
toda coberta de magia
*
*
memórias de infância
*
de sapatilhas cor-de-rosa
ela dança graciosa
mas em seu pensamento habita
uma espera um pouco aflita
fim de tarde, que alegria
a caminho de casa avista
a melhor coisa do dia
cheia de encanto e fantasia
ela sobe na centopéia
toda coberta de magia
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memórias de infância
as nuvens
*
*
olho para as nuvens
sinto o tempo passando
mais rápido ele passa
quanto mais se fica olhando
as nuvens são assim
dão sinais sobre o tempo
não somente se bom ou ruim
mas cada nuvem que passa
nos aproxima do fim
*
*
*
olho para as nuvens
sinto o tempo passando
mais rápido ele passa
quanto mais se fica olhando
as nuvens são assim
dão sinais sobre o tempo
não somente se bom ou ruim
mas cada nuvem que passa
nos aproxima do fim
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*
não tenha medo
*
*
não tenha medo do silêncio
só ele lhe contará sobre sua alma
não tenha medo da solidão
só ela lhe garantirá companhia
não tenha medo da vida
porque é só uma grande dança
não tenha medo da morte
é certo que ela virá te buscar
e de onde ela vem deve ser bom
pois nunca vi ninguém voltar
*
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*
não tenha medo do silêncio
só ele lhe contará sobre sua alma
não tenha medo da solidão
só ela lhe garantirá companhia
não tenha medo da vida
porque é só uma grande dança
não tenha medo da morte
é certo que ela virá te buscar
e de onde ela vem deve ser bom
pois nunca vi ninguém voltar
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
dezembro
*
*
dezembro quente
dia seco e cinza
um banho frio
um sofá, uma preguiça
um livro chato
um breve sono
uma longa espera
por um lindo sonho
*
*
labirinto dos sonhos
*
dezembro quente
dia seco e cinza
um banho frio
um sofá, uma preguiça
um livro chato
um breve sono
uma longa espera
por um lindo sonho
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labirinto dos sonhos
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
sonho que voo
*
*
sonho que voo longe
de tudo me esqueço
tão longe caio
de tudo me perco
desperto, não posso voar
no chão entristeço
pergunto: o que é a vida?
penso e enlouqueço
*
*
labirinto dos sonhos
*
sonho que voo longe
de tudo me esqueço
tão longe caio
de tudo me perco
desperto, não posso voar
no chão entristeço
pergunto: o que é a vida?
penso e enlouqueço
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labirinto dos sonhos
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
sonho abandonado
*
*
um sonho abandonado
perdido na estrada
é de repente encontrado
por alguém
que não sabia de nada
*
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labirinto dos sonhos
*
um sonho abandonado
perdido na estrada
é de repente encontrado
por alguém
que não sabia de nada
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*
labirinto dos sonhos
baú de sonhos
*
*
há um baú de sonhos trancado
guardado num quarto empoeirado
há tanto tempo que as chaves
se perderam no passado
mas ele está lá
esperando talvez cansado
ser aberto a qualquer momento
por alguém que quebre seu cadeado
*
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labirinto dos sonhos
*
há um baú de sonhos trancado
guardado num quarto empoeirado
há tanto tempo que as chaves
se perderam no passado
mas ele está lá
esperando talvez cansado
ser aberto a qualquer momento
por alguém que quebre seu cadeado
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labirinto dos sonhos
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